"eu retribuo a dádiva do amor,
ainda que eu não saiba como expressa-la."

domingo, 1 de julho de 2018

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente) a Carlos Heitor Cony

Dedicado a Carlos Heitor Cony, Tiago de Melo escreve, em 1964, “Os Estatutos do Homem”. Assim, em meio à turbulência de um país marcado pela mácula dos Atos Institucionais que cerceavam a liberdade, suprimindo Direitos, eis que a poesia nos empresta as sua asas, na mais ampla libertação.



Artigo V


Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

[...]


Artigo XIII


Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.


Artigo Final


Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Tiago de Melo
Santiago do Chile, abril de 1964.

Leia o Poema completo em: CONTI outra
Link para Download do Poema em PDF: ESTATUTO DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Sinto Sua Falta (Acústico) - Sons de Saturno



Mais uma vez terei que me acostumar
A casa é um lugar imenso se você não está
Na sala de estar, a foto que me restou
Restaram também promessas que ainda causam dor
Que ainda causam dor

E desde que você foi embora
Eu sinto sua falta
Eu sinto sua falta

E desde o dia em que você foi embora
Eu sinto sua falta
E sinto tanta falta

Parece que o sol deixou de me visitar
O quarto está do jeito que você deixou
Eu ligo a tv, eu tento me acostumar
A casa é um lugar imenso se você não está
Se você não está

E desde que você foi embora
Eu sinto sua falta
Eu sinto sua falta

Tudo mudou quando você foi embora
Eu sinto sua falta
E sinto tanta falta


Artista: Sons de Saturno
Álbum: Sons de Saturno
Lançamento: 2015

sábado, 23 de junho de 2018

Bandolins - Oswaldo Montenegro


Como fosse um par que nessa valsa triste 
Se desenvolvesse ao som dos bandolins 
E como não, e por que não dizer
Que o mundo respirava mais 
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio 
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo 
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada 
Iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança 
Que entra na roda a noite 'tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

Como fosse um par que nessa valsa triste 
Se desenvolvesse ao som dos bandolins 
E como não, e por que não dizer
Que o mundo respirava mais 
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio 
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo 
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada 
Iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança 
Que entra na roda a noite 'tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

Como fosse um par que nessa valsa triste 
Se desenvolvesse ao som dos bandolins 
E como não, e por que não dizer
Que o mundo respirava mais 
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio 
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo 
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada 
Iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança 
Que entra na roda a noite 'tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

 (Oswaldo Montenegro/Oswaldo Viveiros Montenegro)





Artista: Oswaldo Montenegro
Álbum: Oswaldo Montenegro
Lançamento: 1980
Warner/Chappell Music, Inc